terça-feira, 30 de outubro de 2007

Ensurdeço
Com o volume baixo
De sua voz aveludada

Desapareço
Com o nobre intuito
De ouvir sem ser visto

E se me dizes que enlouqueço
Blasfêmia, Injúria, Contradição
Feliz daquele que escuta
A voz surda e oculta do coração

Félix de Có






Vou continuar postando, mesmo n tendo nenhum leitor :)

domingo, 28 de outubro de 2007

É, ok, o poema do outro dia é do meu irmão. Não existe nenhum Soares da Cunha :)

Abaixo um texto que fiz sobre a relação do homem com o tempo. Não achei a versão revisada, e to com preguiça de revisar, então vai assim mesmo e desculpem qualquer erro :)

Tempo

A relação do homem com o tempo nesse admirável mundo novo baseia-se no simples desejo que as horas passem mais rápido quando estamos trabalhando ou estudando, na ansiosa espera pelo próximo fim de semana. E quando nos damos conta, dez anos se passaram, deixando uma sombra do passado para trás e diminuindo a poesia e esperanças do futuro.

Antes de sairmos culpando certo sistema político-econômico, devemos ter em mente possibilidade que escafandristas virão para nos salvar das falhas do fino gelo da vida moderna, no qual patinamos sem atenção.

O passado é necessário, é com ele que aprendemos com nossos erros; o presente é inevitavelmente presente, o vivemos pondo em prática nossas experiências; o futuro é (será) o eco das canções que cantamos, e, portanto, merecemos, de acordo com nossos atos. Nenhum pode existir sem os outros dois; são inseparáveis, logo sempre será nossa sina lembrar o passado, viver o presente e esperar o futuro.


Espero que gostem

Eduardo Targueta

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O que os vagalumes fazem de dia?

De um dos meus poetas favoritos:


Qual folha seca
Caio em prantos
Ao me ver no espelho
De minh´alma iluminada

Miro as virtudes
Ocultas por nuvens
De fina espessura
Mas de peso irremediável

Miro os defeitos
Expostos como o sol
Dos dias remotos
Nos quais fui feliz

Penso, pois,
Que se há preto e branco
Como dois lados
Por que há de haver pranto?

Erro, então,
Nos rincões do que sou eu
E vejo o que posso ser
Apesar do que já sou


Soares da Cunha

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Animais

Hoje tava meio à toa então escrevi esse texto. :)

Animais

Haha! Olhe só o grande porco, sentado em notas de dólar. Do seu nariz sai muco, e este tem, como seu destino, o criador do suíno. Não digo mijo ou bosta para não sujar o texto. Mas não se esqueça de observá-lo sendo levado ao abatedouro. Com o simples golpe, o criador o mata e manda para um frigorífico. A carne do porco vai servir como fonte de compostos orgânicos para a sustentação de vida dos criadores de porco.

Haha! Contudo, sobre o atencioso olhar do contemplador, o suíno sofre uma mutação. Seu rabo cresce se transformando em cauda; pêlos crescem por todo seu corpo; as orelhas também aumentam de tamanho, e o mesmo acontece com o nariz, que se torna focinho. Como, depois de um longo crepúsculo, o sujeito percebe que é noite, assim o contemplador percebe que agora, diante de seus olhos, vê-se um cachorro. Sua aparência é de cachorro bem-cuidado, pedigree comprovada, porém sua essência é de vira-lata. Não é adestrado, mas tem sua sabedoria de sobrevivência: pega a carne fácil com os olhos fechado. Embora tenha fama, amigo do homem não é: não vire suas costas para ele, se não quiser levar uma faca entres as costelas.

Nobre contemplador lembre-se: o vira-lata, cedo ou tarde, será levado pela carrocinha e, se não conseguir ser dissimulado o suficiente para ser adotado por alguma pessoa, será sacrificado.

Haha! Entretanto, antes de ser pego pela rede do infeliz que trabalha capturando cachorros, o cão sofre uma metamorfose. Seu pêlo, outrora inexistente, agora cresce e se torna mais crespo e volumoso; a cauda diminui, se transformando de novo em um pequeno rabo; suas orelhas ficam um tantinho menores, e agora mais redondas. E lá se vai uma recém-formada ovelha, graduada em pastar e mestrada em deixar o pêlo crescer. E, peço agora que olhe, contemplador, mais atento que nunca: de novo vem o homem com um cajado curvo na ponta.(para levar o animal para o abatedouro, carrocinha?) Mas com que objetivo? De alguma forma acabar com o inofensivo e desatento pastar da ovelha? Com alguns gritos e assobios o pastor calmamente manipula seu rebanho, que emitem “bééés” que poderiam ser um protesto ou então um “viu o Jornal Nacional ontem?” Acho a segunda opção mais louvável.

Haha! Mas observe bem: com uma transformação digna dos melhores efeitos de Hollywood, a ovelha se transforma em cão se transforma em porco se transforma em ovelha. E então, com um efeito sonoro de filme B, os três animais se transformam no cérebro do bicho-homem.



Acho que a próxima postagem é do Roney.
Ah, e também acho que vou fazer um post me apresentando e tal.

Espero que tenham gostado do texto.
Eduardo Targueta

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Estreiando : )

Tá, é estreiando ou estreando? Começar com um dúvida é sempre bom : )

Ora, o substantivo é "estréia" mas estreiando soa tão estranho. Procurei no google e não cheguei a uma conclusão, então:

Iniciando o blog, que tem como objetivo, simples e claro, diminuir nosso tempo livre e aumentar nossas ocupações, vai aí uma crônica que escrevi sobre o Jovem do Séc XXI.

Juventude: mais que uma questão de idade

Quando se é jovem, acha-se que tudo que brilha é ouro. Acha-se que o impossível (ou o improvável) está a apenas alguns passos de distância. O Jovem é arrogante. Para ele, não há limites: a medida de suas habilidades é abstrata, a composição de sua “Stairway to Heaven” ou de seu “O Senhor dos Anéis” é tão simples quanto ir à padaria. E isso acontece justamente agora, enquanto tento me igualar a meus cronistas favoritos. O Jovem é ousado. Ou, pelo menos, já foi.

Mas será isso atemporal? Será que todos, desde a antiguidade até o século XXI, os jovens possuem essa ousadia, esse ímpeto de criar e de nunca se calar? Temo que não. Acho que a partir do ano de 2000, os jovens vão perder a juventude ou parte dela, agarrando-se ao imediatismo e ao consumismo e não à inovação e à contestação.

Um dos meus grandes desejos é poder ter vivido as décadas de 60 e 70 do século passado. Naquele quando, o jovem era jovem. O Jovem era arrogante, ousado, inconformado. É viável imaginar os jovens daquela época indo para micaretas enquanto deveriam ir para as ruas protestar contra a politicagem do país? Tente imaginá-los, também, assistindo e ouvindo os enlatados dos USA (“de 9 às 6”), ao invés de Chico e Caetano e também toda a Tropicália? Não conseguiu, não é? Pois eu também não.

É claro, como sempre, que não devemos generalizar, já que há, sim, exemplos de jovens realmente jovens e também de adultos que conservaram a juventude e a usam para criar e recriar, esquecendo ao máximo seus limites, ignorando-os e ultrapassando-os. E é aí que reside a verdadeira juventude: não na idade temporal - do corpo e da mente - mas, sim, na inovação e na ousadia das pessoas, que independem da idade.




Espero que gostem,
Eduardo Targueta